domingo, 6 de abril de 2014

A Arte na Grécia Antiga

A Arte na Grécia Antiga

Ao longo da história da arte ocidental, os artistas buscaram inspiração na Grécia Antiga. Assim foi no Renascimento e no neoclassicismo. A arte grega sempre foi uma referência desde que essa civilização conheceu o esplendor, em meados do século VIII a.C.
O mundo ocidental deve muito aos gregos, que nos legaram nas artes a dramaturgia, na escultura a expressão da perfeição, na arquitetura um estilo marcante.
 Arquitetura
 Na arquitetura, os grandes nomes foram Ictínio e Calícrates, responsáveis pela construção de vários monumentos, dos quais o mais famoso é o Partenon, em Atenas.
   O Partenon é uma homenagem à deusa Palas Atenas, protetora da cidade de Atenas.  Construído entre 447 e 438 a.C., é uma obra retangular de estilo dórico que fica na Acrópole (cidade elevada em grego). Foi decorado com uma grande variedade de esculturas, entre as quais a da própria Palas Atena, feita pelo escultor Fídias em madeira, ouro e mármore.
 A Acrópole é a colina mais alta da cidade, local onde os habitantes se refugiavam em caso de ataque inimigo. No início, abrigava os monarcas e toda a administração da cidade; depois que a monarquia foi abolida, tornou-se sede de um templo.  Atualmente, existem na região ruínas de construções referentes a diversos períodos da antiga civilização grega homenageando vários deuses.
  Os monumentos gregos eram feitos de mármore, com linhas simples e proporções matemáticas. O que mais chama a atenção são as várias colunas postas uma do lado da outra, transmitindo uma grande sensação de harmonia.
  Três foram os estilos arquitetônicos que se desenvolveram na Grécia antiga, a partir de 1200 a.C., distintos pela forma e feitio das colunas e do capitel:
Estilo dórico, apresentando colunas de linhas mais rígidas e capitel liso, o que ofereceu uma aparência de funcionalidade.
Estilo jônico, caracterizado pela leveza e elegância das colunas.
Estilo coríntio, com colunas mais ornamentadas, expressando luxo e abundância.
Cerâmica e pintura     

   Uma das expressões artísticas mais comuns na arte grega é a cerâmica utilitária e a pintura em vasos. Naquela época, os gregos transportavam líquidos, como água, azeite e vinho, em potes e vasos de cerâmica. Por isso, eles eram produzidos em grande quantidade em oficinas de artesãos. Além disso, eram usados em festas e rituais religiosos. Os gregos confeccionaram vários tipos de vasos, cada qual tinha seu nome e uma função específica. Assim, cálices com duas alças eram utilizados para beber vinho; hidras serviam para armazenar água.   A pintura chegou até nós principalmente através das cerâmicas decoradas e  representava cenas religiosas, cenas da vida cotidiana, de batalhas e de jogos. A decoração desses vasos também era bastante importante e caracterizou diferentes períodos da civilização grega. Essas peças de argila eram pintadas, algumas apresentavam figuras humanas e outras retratavam o dia-a-dia dessa antiga civilização. Hoje são instrumentos importantes a partir dos quais os arqueólogos tentam decifrar os costumes e as crenças do povo daquele período.

Frasco para perfumes (Ática V a.C)
   Era costume entre as mulheres levar potes de óleo perfumado ao túmulo de seus maridos – uma forma de expressar respeito.
Num primeiro momento, os artesãos desenvolveram o hábito de usar tinta preta sobre argila vermelha para pintar os vasos. Mas no fim do século VI a.C., o aluno de um famoso ceramista teve a ideia de inverter a cor. Ele pintou a superfície do vaso de preto e depois raspou a tinta, de tal forma que as figuras ficaram vermelhas. Essas peças foram chamadas “figuras vermelhas”, em oposição às anteriores, as figuras em negro.
 Escultura
  A escultura embelezava e completava as obras arquitetônicas. Em geral, as esculturas tinham como motivo as imagens dos deuses e dos heróis. Na escultura, vale lembrar o nome de Fídias, autor da estátua da deusa Atena e dos relevos do Partenon, e Míron, famoso pela estátua do Discóbolo. Os gregos desenvolveram também a pintura, a música e a cerâmica.
Estátua de Hermes, filho de Zeus e de uma ninfa de nome Maya (obra de Praxíteles)
Estátua de Palas Atena, protetora da cidade de Atenas.
Os escultores tinham por objetivo representar homens, animais e vegetais como eles apareciam na natureza. Ao retratar o homem, as estátuas gregas exibiam personagens belas, rostos serenos ou fortes emoções, corpos perfeitos e farta decoração. Fala-se até que as criações de pedra eram tão harmoniosas que chegavam a ganhar vida própria. A representação do ser humano na arte grega correspondia à visão ideal do homem que eles tinham na época. Para eles, a raça humana era descendente de deuses e heróis e estes, por sua vez, eram dotados de formas humanas.
  Assim, o artista almejava alcançar a perfeição dos deuses. Com isso, procurava também atingir a perfeição espiritual e valores nobres, como a inteligência, a sabedoria e o respeito.
  A maioria das estátuas gregas que conhecemos é representação de deuses. Elas foram colocadas em determinados lugares onde esse povo costumava orar, fazer seus cultos e sacrifícios e pedir ajuda e inspiração.
  O Teatro
  Uma das artes mais consagradas na Grécia foi o teatro. Apresentado em arenas dotadas de excelente acústica, o teatro na Grécia Antiga abordou temas profundos, tratados na forma de tragédias ou comédias. Sófocles (496-406 a.C.) foi um dos maiores escritores de teatro da época e Édipo Rei, uma das peças de sua autoria encenadas até hoje. Enquanto arquitetura, a construção do teatro grego também foi importante e influenciou muito esse tipo de arte no Ocidente. Ainda hoje os artistas representam muitas vezes num palco rodeado de arquibancadas reservadas ao público.
  As primeiras peças de teatro grego eram apresentadas nas festas religiosas em homenagem ao deus Dionísio; as chamadas dionisíacas, deus do vinho, da loucura, dos prazeres.
  O teatro era ao ar livre e os atores usavam máscaras. Somente aos homens era permitido participar das representações, nas quais eram discutidos os problemas eternos do ser humano, como o destino, as paixões e a justiça, e também satirizados os comportamentos humanos, os costumes, e a própria sociedade.
  Os três autores de teatro mais destacados foram Ésquilo, Sófocles e Eurípedes. Suas obras, escritas no século V a.C., eram chamadas de tragédias, e a maioria delas tinha final triste. O enredo das peças gregas sempre tratava de lendas conhecidas por toda a platéia. Portanto, o que atraía as pessoas não eram as histórias (que todos já conheciam), mas o jeito habilidoso e poético como o autor as tinha escrito.
Ésquilo, considerado o “pai da tragédia”, autor de Prometeu acorrentado, Os persas e Os Sete contra Tebas;
Sófocles, respeitado como o mais importante teatrólogo grego; escreveu Édipo rei, Electra e Antígona, entre outras;
Eurípedes, autor de Medeia, As troianas e As bacantes;
Aristófanes, satírico autor de As nuvens, As rãs e As vespas.
Máscaras
Tragédia
Comédia
  Para entrar em cena, os atores de teatro usavam máscaras feitas de tecido engomado. Elas tinham uma grande abertura para a boca, que permitia ecoar a voz do ator até as últimas arquibancadas. Cada máscara representava uma personagem e, graças a ela, a platéia logo identificava seus principais traços psicológicos – sua persona. Por isso, o termo “personalidade” deriva justamente de persona – em grego, a máscara de teatro.
  Retirado de http://www.historiamais.com/arte_grega
Cafe historia/vale a pena conferir

Café História- Rede social baseada no modelo de web colaborativa voltada para estudantes, professores, pesquisadores ou simples apaixonados por história. É um espaço para se ler notícias, publicar textos, acessar vídeos, participar de debates, trocar ideias, conhecimentos e informações .

segunda-feira, 31 de março de 2014

Animação produzida por Rodrigo Araújo sobre a Grécia Antiga, enfatizando as diferenças entre as principais cidades-estado grega Esparta e Atenas. O vídeo apresenta informações sobre a sociedade, a economia e a política grega.

sábado, 29 de março de 2014

Admeto e Alceste


Morte de Alceste - Sacrifício feito para salvar o seu amado
Alceste era a mais bela das filhas do rei Pélias. Por isso foi pedida em casamento por vários reis e príncipes. Mas para não arriscar sua posição política recusando alguns desses reis e príncipes, o rei Pélias declarou que àquele que conseguisse atrelar um javali e um leão em um mesmo carro de corrida e o dirigisse em torno do estádio, seria concedida a mão de Alceste.
Ao ter conhecimento disso, Admeto, rei de Feras, invocou o deus Apolo e rogou-lhe que o ajudasse a cumprir as exigências do rei Pélias para obter a mão de Alceste. E tendo-lhe atendido o deus, conseguiu Admeto, com uma mãozinha de Héracles, atrelar os animais e dirigir o carro puxado por esses ao redor do estádio.
Tendo sucesso na empreita, Admeto fez um sacrifício à deusa Artêmis antes de se casar com Alceste. Mas não se sabe por qual razão ele omitiu esse sacrifício, o que deixou a deusa furiosa, querendo rapidamente puni-lo. Na noite de núpcias do rei, não havia uma linda esposa esperando-o, mas um gigantesco nó de serpentes.
Recorrendo novamente ao deus Apolo, Admeto conseguiu que esse interviesse com a deusa, o que acabou acontecendo, pois ele ofereceu o sacrifício esquecido. Porém, para obter sua amada de volta o rei deveria, quando chegasse a hora, sacrificar sua vida, a não ser que algum membro da família o substituísse por amor a ele, sacrifício em nome do amor.
O dia inesperado da morte de Admeto chegou mais cedo que o imaginado. Hermes (deus mensageiro) entrou em seu palácio certa noite e o intimou ao Tártaro (lugar para onde vão os mortos). Desesperado, Admeto foi atrás de seus familiares implorando para que alguém sacrificasse sua vida em seu lugar, o que ninguém se dispôs a fazer. Admeto deveria aceitar seu destino e se sacrificar por amor.
Mas o trágico e também mágico é que, por amor, Alceste tomou veneno e se sacrificou por seu amado, indo para o Tártaro em seu lugar e cumprindo a promessa feita à deusa Artêmis.
Portanto, quem se sacrifica por alguém, acaba sendo recompensado, pois o amor sempre se identifica no outro que nos completa. E Alceste completou Admeto que a tinha trazido de volta.
Por João Francisco P. Cabral
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU
Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP

quinta-feira, 27 de março de 2014

ORFEU E DIONÍSIO: DOIS CULTOS DIFERENTES

 
Dois cultos merecem destaque especial dentro da religiosidade grega: o dedicado a Orfeu, de cunho espiritual e o de Dionísio, espelho da própria natureza. Eles não pertencentes à tradição homérica ou hesiodíaca, possuindo, segundo alguns, uma orígem fora da Égide, na Trácia; segundo outros, o culto a Dionísio tem origem na civilização micênica anterior aos aqueus, constituindo uma vertente do orfismo, do qual se libertaria posteriormente.
O culto a Orfeu foi a origem à iniciação de Eleuses, precursora de religiões que surgiriam mil anos após. As “orgias”, seus rituais órficos, buscavam a purificação da alma, visando recompensas em outra vida. Os órficos- que desenvolveram o conceito da reencarnação da energia através da metempsicose, derivavam sua religiosidade da descida e volta de Orfeu ao reino subterrâneo, de sua ressurreição e do conhecimento adquirido após a tentativa infrutífera de reviver seu amor, Eurídice, morta devido a uma picada de serpente e enviada ao reino de Hades.
Enquanto o culto a Dionísio aproximava o homem da natureza e liberava seus instintos, o Orfismo, no seu misticismo ensinava aos homens o caminho da boa morte, da busca da recompensa no reino de Hades e Perséfone, ensinando as almas a se afastar do rio Letes e beber das fontes da Mnemósine, obtendo as boas graças dos espíritos guardiões das fontes, devido a boas ações praticadas em vida. Esta foi a única corrente que, na Grécia antiga, associou a prática do bem com recompensas "post-mortem". O orfismo foi apropriado por Pitágoras e constituiu a base, despido de suas celebrações e rituais, da parcela mística da concepção filosófica de Sócrates, dois séculos após.
Mas, contrariamente ao orfismo que possui uma presença marginal dentro da cidade grega, passemos ao culto do “deus máscara”. Existe aqui uma ruptura com os deuses olímpicos. Em seu culto, este deus não se contenta com momentos de piedade que para com ele tenham os homens, pois diferentemente de todos os outros deuses, a Dionísio não bastam orações e sacrifícios pois na sua relação com os homens não há o “dar e receber”, não há moeda de troca, que constituia a tônica de toda a religiosidade vista até agora.
Dionísio é o deus que somente se satisfaz com o total arrebatamento, sua satisfação somente se esgota no abranger de todo o ser humano; Dionísio é o deus que permite o êxtase, a ultrapassagem das medidas, aquele que é capaz de conduzir os mortais desde o mais profundo horror ao mais alto patamar da realização da alma. O deus-máscara, não incidentalmente, metamorfoseia-se em um humano e age como tal, de uma maneira diferente que todos os deuses homéricos, pois, enquanto estes apenas “fingem” serem homens e a carapaça humana é usada tão somente para o envólucro divino, Dionísio assume-se como homem divinizado, ou deus humanizado. Por isto Dionísio é o deus que possui a habilidade de arrastar o ser humano à felicidade e ao autoconhecimento supremo, assim como à loucura e à destruição.
Portanto, o culto a Dionísio leva o homem a assumir-se enquanto instinto, enquanto natureza viva. A tendência a ver Dionísio somente como o deus inventor do vinho- esta graça dada aos homens-, não engloba seus atributos, sendo apenas parcela dos mesmos. A essência íntima da própria natureza- a seiva, o mais profundo e íntimo da natureza- representado pelo vinho, é pelo deus colocado a serviço do homem.
Nietzsche assinala: “sob a magia do dionísico torna a selar-se não somente o laço de pessoa a pessoa, mas tambem a natureza alheada, inamistosa ou subjulgada volta a celebrar a festa de reconciliação com seu filho perdido, o homem”. Aqui vale uma observação importante. O culto a Dionísio e as orgias báquicas instalaram-se, primeiramente, no seio dos camponeses da Ásia Menor, entremeados aos rituais de fecundação da terra.
Gradualmente, entretanto, foram se extendendo por toda a Grécia, não sem gerar reações dos aristocratas, dos reis e governantes, que resistiam às bacanais.
“As Bacantes”, uma das derradeiras tragédias de Eurípedes retrata a resistência da aristocracia ao dionísico, que é representada pelo rei Penteu, assim como a sua submissão e esquartejamento no culto do deus-máscara. Não por acaso as báquides eram mulheres – matronas e donzelas- a se libertarem momentaneamente de um mundo patriarcal pelo “entusiasmo” propiciado pelo vinho, em rituais de danças em contato íntimo e direto com a natureza. Uma das bases deste comportamento aristocrático era a religiosidade “fechada”. Ora, o culto a Dionísio rompe com este poder ao tornar as bacanais festas populares, incorporando mulheres, servos e clientes. O dionisismo é componente importante da própria democracia no âmbito cívico-religioso. Justamente neste momento devemos realizar o correto contraponto, a “sophrosine” tão ao gosto dos gregos.
Enquanto muitos povos tiveram apenas e tão somente seus “dionísios”, seus libertadores do espírito e dos instintos, mesmo dos mais recônditos, dos mais violentos e libertinos, que possibilitavam a mistura incontida de volúpia e crueldade, erguia-se para os gregos, no mesmo patamar de importância, a figura monumental e sóbria de Apolo, ou, voltando-se a Nietzche, “o sonho se opondo à embriaguês”. O sonho de um mundo dirigido pela verdade, pelo “logos” da sabedoria, pela beleza fulgurante do sol, gerador da beleza do mundo onírico, formatado pela consciência. Foi o deus délfico, Apolo quem “restringiu-se a retirar de seu poderoso oponente as armas destruidoras, mediante uma reconciliação concluída no seu devido tempo”.
Enquanto o carro que conduz Dionísio está coberto de flores e grinalda, conduzido que é pela pantera e pelo tigre, trazendo ao homem a liberdade, permitindo-lhe que “viva” e libere seus instintos e seu inconsciente, que busque seu “extasis”, surge com o seu caminhar alado, lado a lado, outro carro, aquele do deus Apolo, rodeado por suas Musas a dançar e a cantar ao rítmo ditado por uma cítera, ele, o próprio portador da harmonia, da beleza onírica, da verdade, do poder do “logos”, com coroa de louros premonitória doada por Dafne. E é fruto desta união, do conflito e da harmonização entre Dionísio e Apolo, entre o consciente e o inconsciente, da natureza e da consciência humana, que nasceu o melhor da arte grega e, quiça, da arte de todos os tempos.

Carlos Russo Jr.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Vídeo-aula

Vídeo-aula didática e divertida sobre a Grécia Antiga. Confira !!

Mitologia grega




Ao escutarmos a palavra "mitologia", quase automaticamente a associamos à palavra "grega". De fato, a mitologia grega ganhou destaque sobre a mitologia de vários outros povos pelo própria influência que a civilização e o pensamento grego exerceram sobre o mundo, em particular sobre o Ocidente. Para se ter uma idéia dessa influência, basta lembrar que a filosofia e a matemática, por exemplo, são "invenções" gregas.
Da mesma maneira, a maioria das palavras que dão nome às ciências têm origem grega: física, geografia, biologia, zoologia, história, etc. Também vêm do grego as palavras que designam os relacionamentos dos seres humanos entre si e em sociedade. É o caso de palavras essenciais, como ética, política e democracia.


Herança grega
Se conseguimos compreender a importância da herança grega para nossa civilização contemporânea - que está cerca de 3000 anos distante dela - não é difícil imaginar a influência que os gregos exerceram nas civilizações que lhes eram mais próximas em termos temporais. É o caso dos romanos, por exemplo, que dominaram a Grécia política e militarmente. No entanto, culturalmente, adaptaram-se aos modelos gregos.
Mas podemos ir mais além. Se o fim do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C., representa o fim da influência greco-romana nos padrões culturais do mundo ocidental, que passou a ser modelado pelo cristianismo, por outro lado, a cultura e a mitologia greco-romana são retomadas ao fim da Idade Média no período que ficou conhecido como Renascimento, bem como no século 18, quando se desenvolve um movimento cultural conhecido como Neoclassicismo.


Religião e arte
Por outro lado, é importante deixar claro que a mitologia grega ou greco-romana, em suas origens mais remotas está ligada a uma visão de mundo de caráter religioso. Ao contrário, à medida que avançamos no tempo em direção aos nossos dias, a mitologia vai se esvaziando do significado religioso e ganhando, principalmente, um caráter artístico. Em outras palavras, no século 15, ao retratar uma deusa greco-romana como Vênus, o pintor Sandro Botticelli não a encarava como uma entidade religiosa, mas como um ideal estético de beleza.
Na verdade, mesmo em termos de Antigüidade, é muito difícil fazer uma separação entre mitologia e arte. A arte da Grécia antiga, por exemplo, trata essencialmente de temas mitológicos. E foi através da arte que tomamos contato com a mitologia grega: além de uma grande quantidade de templos (arquitetura), de esculturas, baixo-relevos e pinturas, a literatura grega é a principal fonte que temos dessa mitologia. Em especial, podemos destacar a obra de Homero, a "Ilíada" e a "Odisséia", que datam provavelmente do século 9 a.C., e a de Hesíodo, "Teogonia", escrita possivelmente no século seguinte.


Homero e Hesíodo
Essas três obras podem ser consideradas as fontes básicas para o conhecimento da mitologia grega. A "Teogonia" narra a origem dos deuses (Theos, em grego, significa deus). Já a "Ilíada" e a "Odisséia" tratam de aventuras de heróis, respectivamente Aquiles e Odisseu, embora a participação dos deuses em ambas as narrativas sejam fundamentais. No entanto, além delas existem ainda muitas outras obras antigas que têm como personagens entidades mitológicas - sejam deuses, semi-deuses ou heróis.
Entre elas, merecem destaque as tragédias (obras teatrais) de Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, pois através delas conseguimos perceber com maior facilidade o significado simbólico que os mitos têm para a própria existência humana. Por meio delas, talvez se evidencie mais o significado que os mitos têm em termos psicológicos, que acabaram levando psiquiatras como Sigmund Freud e Carl Jung a analisar o significado dos mitos.
Vamos deixar de lado, porém, o significado ou os significados dos mitos. Tudo o que se disse até agora teve como exclusiva função apresentar o contexto que envolve os mitos apenas para podermos apresentar a você, leitor, os próprios mitos, ou melhor, pelo menos alguns deles.


A luta pelo poder 
É interessante começar dizendo que os gregos não acreditavam que o universo tivesse sido criado pelos deuses. Ao contrário, eles acreditavam que o universo criara os deuses. Antes de mais nada, existiam o Céu e a Terra, que geraram os Titãs, também chamados de deuses antigos. O mais importante deles foi Cronos (ou Saturno, para os romanos), que reinou sobre todos os outros. No entanto, o Destino - uma entidade à qual os próprios deuses estavam submetidos - determinara que Cronos seria destronado por um de seus filhos. Por isso, mal eles saíam do ventre materno, Cronos os devorava.
Réia, sua mulher, resolveu salvar seu último filho, escondendo-o do marido. Este filho, Zeus, cumpriu a profecia, destronou Cronos e retirou de seu estômago todos os irmãos que haviam sido devorados. Com eles, Zeus passou a reinar sobre o mundo, de seu palácio no topo do monte Olimpo. A corte de Zeus era formada por outros onze deuses, seus irmãos, sua esposa e seus filhos, como se vê no quadro que segue:

Os doze deuses olímpicos
Nome gregoNome latinoCaracterísticas
ZeusJúpiterEra o senhor do céu, o deus das nuvens e das chuvas, e tinha no raio a sua maior arma. No entanto, não era onipotente. Era possível opor-se a ele ou mesmo enganá-lo.
PoseidonNetunoIrmão de Zeus, era o senhor do mares e ocupava o segundo lugar na hierarquia do Olimpo.
HeraJunoIrmã e mulher de Zeus. Era a protetora dos casamentos. Muito ciumenta, vingava-se sempre dos constantes relacionamentos adúlteros do marido.
HadesPlutãoDominava o mundo subterrâneo, onde habitavam os mortos: o Tártaro, onde eram punidos os vilões, o Elíseo, onde eram recompensados os heróis.
Palas AtenaMinervaGerada da cabeça de Zeus, era sua filha favorita e a deusa da sabedoria.
ApoloFeboFilho de Zeus e Leto, era identificado com o Sol e considerado o deus da música e da cura - artes que ensinou aos homens
ÁrtemisDianaIrmã gêmea de Apolo, era a deusa da caça e da castidade.
AfroditeVênusDeusa do amor e da beleza, que a todos seduzia, fossem deuses ou simples mortais.
HermesMercúrioFilho de Zeus e mensageiro dos deuses, dos quais era o mais esperto ou astuto. Por isso, protegia comerciantes e ladrões.
AresMarteFilho de Zeus e Hera, é o deus da Guerra, considerado, por Homero, "a maldição dos mortais".
HefestoVulcanoDeus do fogo, ferreiro e artesão, que fabricava os utensílios e as armas de deuses e heróis.
HéstiaVestaEra o símbolo do lar e foi mais cultuada pelos romanos que pelos gregos.

Fonte: Portal UOL